FAB diz que análise preliminar da caixa-preta não aponta ‘anormalidade’ no avião que caiu com Teori

A Aeronáutica informou nesta terça- feira (24) que a análise preliminar da caixa-preta do avião que caiu com o ministro Teori Zavascki não apontou “qualquer anormalidade” nos sistemas da aeronave.

A caixa-preta está em Brasília, no Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Todo o material gravado, que são as comunicações do piloto nos últimos 30 minutos de voo, foi recuperado.

De acordo com o Bom Dia Brasil, técnicos que tiveram acesso ao áudio disseram que o piloto mencionou na gravação que esperaria o término da chuva que caía em Paraty (RJ) na hora do acidente para poder pousar. O piloto, o ministro Teori e os outros três passageiros a bordo morreram no acidente.

A Aeronáutica divulgou também nesta terça imagens dos peritos trabalhando na análise do material. Segundo os peritos, além da voz do piloto, o gravador captou também outros sons que serão úteis para a investigação como, por exemplo, o barulho de um eventual acionamento de algum equipamento do avião.

Os especialistas informaram ainda que um cabo de conexão que liga o chassi da caixa-preta com o armazenador de memória estava molhado e, por isso, foi substituído, o que impediu o risco de curto circuito ou perda de dados.

A intenção do Cenipa é tentar descobrir o que o piloto falou com a torre, com outras aeronaves e na cabine. O equipamento pode ser fundamental para esclarecer o que provocou a queda do avião.

O Cenipa vai analisar também o GPS do avião. O aparelho, ao contrário do gravador de voz, não tinha proteção específica. Se tiver sido danificado, poderá ser enviado para os Estados Unidos numa tentativa de resgatar os dados.

Segundo o colunista do G1 Matheus Leitão, a Justiça Federal de Angra dos Reis (RJ) determinou à Aeronáutica que compartilhe as gravações e os dados sobre o acidente aéreo com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal – os dois órgãos também instauraram inquéritos para investigar a queda do avião.

Ministro do STF desde 2012, indicado pela então presidente Dilma Rousseff, Teori Zavascki morreu aos 68 anos e deixou três filhos. Além da relatoria da Lava Jato, no gabinete dele há mais de 7,5 mil processos.

A morte do ministro gerou um ambiente de consternação nos meios político e jurídico. O presidente Michel Temer anunciou no sábado que só vai nomear um novo ministro para a Corte depois que o STF designar um novo relator para a Lava Jato.

Pelo regimento, há diversas possibilidades sobre o relator. Uma delas seria um sorteio entre os ministros que atuam hoje no Supremo.

Além de Teori, morreram no acidente o dono do Grupo Emiliano e do avião, Carlos Alberto Filgueiras – que era amigo do ministro –, o piloto Osmar Rodrigues, a massoterapeuta Maira Lidiane Panas Helatczuk, e a mãe dela, Maria Ilda Panas. O misitro do STF estava de férias e viajava para a casa de praia do empresário.

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